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Compliance, escândalos e esporte

03/07/2025

Compliance Rules Law Regulation Policy Business Technology concept

A história do esporte moderno é marcada por episódios que expuseram a fragilidade de sua governança e a urgência de mecanismos robustos de compliance. São muitos os exemplos, por aqui e por lá.

Caso Fifagate (2015) (que escrevi algumas vezes por aqui) em que dirigentes da FIFA foram presos por corrupção, lavagem de dinheiro e fraudes, mostrou como a falta de transparência e controle pode corroer até mesmo as maiores instituições esportivas.

A intervenção do Departamento de Justiça dos EUA e da Justiça suíça evidenciou que, quando as entidades falham em autorregular-se, o Estado precisa agir para preservar a integridade do esporte. A partir desse escândalo, a FIFA reformulou seus códigos de ética, fortaleceu comitês independentes e adotou regras como o Licenciamento de Clubes – medidas essenciais, mas que só surgiram após uma crise sem precedentes.

Outro exemplo emblemático é o escândalo do doping patrocinado pelo Estado russo, revelado em 2016. Investigações da WADA e do jornalista Hajo Seppelt comprovaram que atletas olímpicos foram dopados com aval institucional, culminando na exclusão da Rússia de competições como os Jogos de Tóquio 2020.

O caso mostrou como a ausência de compliance pode distorcer a competição esportiva e manchar reputações históricas. A resposta veio com a criação de entidades independentes, como a ITA (Agência Internacional de Testes), para fiscalizar antidopagem sem influência política – um avanço, mas que ainda enfrenta desafios de implementação global.

No Brasil, o escândalo da manipulação de apostas em 2023 expôs falhas na governança do futebol, como a necessidade de projetos de educação e conscientização.

Investigação do Ministério Público de Goiás revelou esquemas envolvendo jogadores, árbitros e criminosos, abalando a credibilidade do Campeonato Brasileiro. A CBF, pressionada, acelerou a adoção de protocolos de integridade e firmou parcerias com empresas de monitoramento de apostas.

A Lei Geral do Esporte (2023) tipificou novos crimes, como corrupção privada, mostrando que a legislação precisa evoluir junto com as ameaças.

Esses casos provam que governança eficiente no esporte exige três pilarescompliance rigoroso (para prevenir irregularidades), mecanismos independentes de fiscalização (como comitês de ética autônomos) e responsabilização jurídica (com punições civis e penais quando necessário).

O desafio é equilibrar a autonomia das entidades com a supervisão estatal, evitando tanto o excesso de burocracia quanto a leniência que gera escândalos. Afinal, autonomia não se confunde com independência.

O esporte do futuro – como sempre reforço – será definido por quem entender que transparência não é um obstáculo, mas a base para sua sobrevivência.

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