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Convenção de Macolin: o que o Brasil ganha na defesa da integridade do esporte

03/11/2026

soccer ball in goal net

Entenda por que Brasil dá passo importante na proteção do esporte 

Uma partida pode ter seu resultado final preservado e, ainda assim, ser manipulada. Basta que alguém combine, por exemplo, a ocorrência de um cartão para lucrar com uma aposta. Para quem acompanha o jogo, o lance pode parecer banal. Para quem recebeu a proposta ou identificou uma movimentação atípica nas apostas, ele pode ser a primeira pista de uma fraude. O desafio é fazer essas informações chegarem a quem pode agir.

Foi para enfrentar esse tipo de problema que o Brasil assinou, em 30 de outubro, a Convenção de Macolin. O país é o primeiro da América Latina a assinar o tratado do Conselho da Europa, em vigor desde 2019. O texto prevê a cooperação entre autoridades públicas, organizações esportivas, organizadores de competições e operadores de apostas para prevenir, detectar e sancionar a manipulação. O Brasil ainda precisa da aprovação do Congresso Nacional e da ratificação para se tornar parte da Convenção.

A informação precisa circular

Uma das medidas mais importantes do tratado está no artigo 13, que prevê uma plataforma nacional para coordenar o enfrentamento à manipulação. Na prática, ela funciona como um ponto de contato para receber e analisar informações, emitir alertas e encaminhar indícios às autoridades e entidades competentes. Um padrão atípico de apostas pode ser identificado em outro país, enquanto o relato de uma abordagem a um atleta chega ao clube no Brasil. Cruzar essas informações ajuda a decidir o que apurar e quais provas preservar. Um alerta indica a necessidade de investigação. A responsabilização exige prova e respeito ao direito de defesa.

Para o Brasil, essa cooperação pode dar alcance internacional à Política Nacional de Prevenção e Enfrentamento à Manipulação de Resultados Esportivos, instituída em março de 2026. O ganho interessa também a modalidades e competições com menor estrutura de monitoramento. A capacidade de reagir a uma suspeita precisa chegar a quem organiza e disputa esses campeonatos, inclusive onde os recursos para manter uma equipe própria de integridade são limitados.

A integridade começa dentro das entidades

Clubes, federações e ligas têm um papel direto nessa proteção. Um atleta que recebe uma proposta para interferir em um lance precisa saber a quem recorrer, como preservar a mensagem e que proteção terá contra retaliações. Isso exige treinamento, um canal de denúncia confiável e um protocolo que defina quem recebe o relato, quem conduz a apuração e quando o caso deve ser encaminhado. São medidas de governança que ajudam a proteger tanto quem denuncia quanto a própria investigação.

A assinatura brasileira abre caminho para conectar o trabalho de quem está perto da competição ao de quem pode investigar uma fraude que atravessa fronteiras. É essa conexão que permite agir mais cedo e preservar o que dá valor ao esporte: a confiança de que o resultado foi decidido por quem competiu.

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